Com o aumento do desemprego e a precarização cada vez maior do trabalho, e a consequente procura pelos trabalhos informais, muitas pessoas encontraram seu porto seguro na chamada ‘economia compartilhada’, especialmente nas atividades de ridesharing, ou seja, como motorista de aplicativos de “carona compartilhada” (era assim que os aplicativos “se vendiam” no passado).

Um modelo de negócios que nasceu como uma possibilidade de ser uma renda complementar para quem dispusesse de um veículo e quisesse incrementar seus rendimentos mensais, passou a ser o ‘emprego’ de muitas pessoas recém desempregadas, ou que viram neste negócio, uma oportunidade para trabalhar sem precisar de um chefe e ainda ganhar um pouco melhor do que ganhava em seu emprego formal.

Com uma ótima oferta de motoristas dispostos a trabalhar como ‘parceiro’, ou seja, sem nenhum tipo de vínculo empregatício, as plataformas se viram a vontade para realizar os mais diversos testes, especialmente em tarifas e modelos de cobrança, e com o tempo foram se adaptando ao que mais era aceito pelos motoristas e, principalmente, pelos clientes que pagam pelo serviço de “carona compartilhada”.

Como todo negócio, seu foco é o lucro, para tal, o cliente é o centro de tudo. E isso é o normal para qualquer empresa. No entanto, no modelo de ridesharing, o motorista também é cliente, e este cliente não está sendo devidamente respeitado.

Na maior parte das plataformas de ridesharing, funciona assim: o motorista (“cliente A”) liga o aplicativo e aceita levar (em teoria) 75% do que o passageiro (“cliente B”) pagar para a “plataforma”. O cliente B (passageiro) paga 100% do valor cobrado, a plataforma cobra um “fee” de 25% sob o serviço prestado de intermediação, e o cliente A (motorista) fica com 75% do total da corrida.

E quanto ao “cliente motorista” não está sendo respeitado? Como assim?

Desde que o serviço de ridesharing (“carona compartilhada”) ganhou escala no Brasil, os custos com combustível e manutenção tiveram aumentos expressivos, assim também como renovar a frota ficou mais caro, pois os preços dos veículos 0KM subiram muito. No entanto, o que é repassado ao motorista, ao invés de acompanharem os custos que cada vez são mais elevados, sofreram graduais reduções, especialmente com a entrada de novas plataformas no mercado que iniciaram suas operações com preços mais defasados ainda.

Com o atual contexto em que vivemos em 2020, o de pandemia, onde a economia vai mal, os custos aumentam e os empregos somem, ao invés de os preços das plataformas serem ajustados para cima, na realidade, a tendência foi oposta, em muitas cidades os preços por KM rodado chegaram a cair mais de 40%, o que por um lado, é “bom” para o “cliente passageiro” e é péssimo para o “cliente motorista”. Porém, é uma situação que não se mostrará sustentável ao longo do tempo, pois a tendência é de que a qualidade do serviço também seja depreciada junto com a baixa das tarifas, o que irá impactar negativamente também para o “cliente passageiro” em um curto ou médio prazo. O problema é saber o quão longo será este prazo e até onde as plataformas estarão dispostas a depreciar o trabalho de seus clientes motoristas.

Enquanto este prazo não se esgota e as plataformas não atuam para melhorar esta margem de preços praticados, é necessário algum tipo de atitude por parte dos mais prejudicados nisso, os motoristas.

Em muitas cidades no Brasil, os grupos e lideranças de motoristas estão organizando uma série de manifestações de modo a mostrar para as plataformas, ao poder público e a sociedade, a sua insatisfação com a depreciação do seu trabalho.

E você? O que irá fazer? Procure os grupos de motoristas em sua cidade, veja se existem manifestações sendo organizadas e tente dar sua colaboração de alguma forma. Sua ajuda será muito importante para todos.

Mas lembre-se que estamos em tempos de pandemia. Então use máscara e evite aglomerações, ok?

Lembre-se que você, amigo motorista, é o principal componente desta grande engrenagem, sem você, as plataformas de ridesharing não tem como fornecer seus serviços. Desta forma, se todos se unirem, farão a diferença!

Um grande abraço, e conte conosco!

Time do DriveSocial.

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